O que significa Transprojetação?

A Transprojetação é uma metodologia fundamentada nas obras de Edgar Morin e Michel Thiollent.
EDUCAÇÃO, CIÊNCIA, TECNOLOGIA E GESTÃO PARA A SUSTENTABILIDADE com a Soft Systems Methodology e a Pesquisa-ação.



sexta-feira, 27 de maio de 2011

A CORAGEM ÉTICA

Esse cidadão merece nossos aplausos.



Odilon de Oliveira, de 56 anos, estende o colchonete no piso frio da sala, puxa o edredom e prepara-se para dormir ali mesmo, no chão, sob a vigilância de sete agentes federais fortemente armados.

Oliveira é juiz federal em Ponta Porã, cidade de Mato Grosso do Sul na fronteira com o Paraguai e, jurado de morte pelo crime organizado, está morando no fórum da cidade.

Só sai quando extremamente necessário, sob forte escolta.

Em um ano, o juiz condenou 114 traficantes a penas, somadas, de 919 anos e 6 meses de cadeia, e ainda confiscou seus bens.

Como os que pôs atrás das grades, ele perdeu a liberdade.
'A única diferença é que tenho a chave da minha prisão.'.
Traficantes brasileiros que agem no Paraguai se dispõem a pagar US$ 300 mil para vê-lo morto. Desde junho do ano passado, quando o juiz assumiu a vara de Ponta Porã, porta de entrada da cocaína e da maconha distribuídas em grande parte do País, as organizações criminosas tiveram muitas baixas.Nos últimos 12 meses, sua vara foi a que mais condenou traficantes no País.

Oliveira confiscou ainda 12 fazendas, num total de 12.832 hectares, 3 mansões - uma, em Ponta Porã, avaliada em R$ 5,8 milhões - 3 apartamentos, 3 casas, dezenas de veículos e 3 aviões, tudo comprado com dinheiro das drogas. Por meio de telefonemas, cartas anônimas e avisos mandados por presos, Oliveira soube que estavam dispostos a comprar sua morte.

'Os agentes descobriram planos para me matar, inicialmente com oferta de US$100 mil.' No dia 26 de junho, o jornal paraguaio Lá Nación informou que a cotação do juiz no mercado do crime encomendado havia subido para US$ 300 mil. 'Estou valorizado', brincou. Ele recebeu um carro com blindagem para tiros de fuzil AR-15 e passou a andar escoltado.

Para preservar a família, mudou-se para o quartel do Exército e em seguida para um hotel. Há duas semanas, decidiu transformar o prédio do Fórum Federal em casa. 'No hotel, a escolta chamava muito a atenção e dava despesa para a PF.' É o único caso de juiz que vive confinado no Brasil. A sala de despachos de Oliveira virou quarto de dormir. No armário de madeira, antes abarrotado de processos, estão colchonete, roupas de cama e objetos de uso pessoal. O banheiro privativo ganhou chuveiro. A família - mulher, filho e duas filhas, que ia mudar para Ponta Porã, teve de continuar em Campo Grande.. O juiz só vai para casa a cada 15 dias, com seguranças. Oliveira teve de abrir mão dos restaurantes e almoça um marmitex, comprado em locais estratégicos, porque o juiz já foi ameaçado de envenenamento. O jantar é feito ali mesmo. Entre um processo e outro, toma um suco ou come uma fruta. 'Sozinho, não me arrisco a sair nem na calçada.'


Uma sala de audiências virou dormitório, com três beliches e televisão. Quando o juiz precisa cortar o cabelo, veste colete à prova de bala e sai a escolta. 'Estou aqui há um ano e nem conheço a cidade.' Na última ida a um shopping, foi abordado por um traficante. Os agentes tiveram de intervir. Hora extra. Azar do tráfico que o juiz tenha de ficar recluso.. Acostumado a deitar cedo e levantar de madrugada, ele preenche o tempo com trabalho. De seu 'bunker', auxiliado por funcionários que trabalham até alta noite, vai disparando sentenças. Como a que condenou o mega traficante Erineu Domingos Soligo, o Pingo, a 26 anos e 4 meses de reclusão, mais multa de R$ 285 mil e o confisco de R$ 2,4 milhões resultantes de lavagem de dinheiro, além da perda de duas fazendas, dois terrenos e todo o gado. Carlos Pavão Espíndola foi condenado a 10 anos de prisão e multa de R$ 28,6 mil. Os irmãos , condenados respectivamente a 21 anos de reclusão e multa de R$78,5 mil e 16 anos de reclusão, mais multa de R$56 mil, perderam três fazendas. O mega traficante Carlos Alberto da Silva Duro pegou 11 anos, multa de R$82,3 mil e perdeu R$ 733 mil, três terrenos e uma caminhonete. Aldo José Marques Brandão pegou 27 anos, mais multa de R$ 272 mil, e teve confiscados R$ 875 mil e uma fazenda.


Doze réus foram extraditados do Paraguai a pedido do juiz, inclusive o 'rei da soja' no país vizinho, Odacir Antonio Dametto, e Sandro Mendonça do Nascimento, braço direito do traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar. 'As autoridades paraguaias passaram a colaborar porque estão vendo os criminosos serem condenados.' O juiz não se intimida com as ameaças e não se rende a apelos da família, que quer vê-lo longe desse barril de pólvora. Ele é titular de uma vara em Campo Grande e poderia ser transferido, mas acha 'dever de ofício' enfrentar o narcotráfico. 'Quem traz mais danos à sociedade é mega traficante. Não posso ignorar isso e prender só mulas (pequenos traficantes) em troca de dormir tranqüilo e andar sem segurança..'


ESTE MERECE NOSSOS APLAUSOS!

POR ACASO A MÍDIA NOTICIOU ESSA BRAVURA QUE O BRASIL PRECISA SABER?POR FAVOR, FAÇA A SUA PARTE! CLICA EM ENCAMINHAR !!

domingo, 22 de maio de 2011

PROIBIÇÃO DAS SACOLAS PLÁSTICAS O QUE NÃO ESTÁ SENDO DITO!!!


Bem-vindos à au-aula

Renan França

Creche de Niterói lembra a máxima eternizada por um ex-ministro de que o cachorro é um ser humano como outro qualquer

Fernando Lemos

Os alunos chegam à escola com suas mochilas: atividades diárias
Theo, que tem 1 ano e 8 meses, desde pequeno segue um ritual metódico. De segunda a sexta, ele se levanta às 6h30 e pouco depois já está pronto para pegar a van escolar. No veículo, interage com os coleguinhas Xavier, Oliver, Fred, Dinho, Bruce e Laila. Difícil mesmo é ficar com o cinto afivelado. Ao desembarcarem, eles desfilam com suas mochilas e lancheiras para mais um dia de atividades. Os professores conferem a agenda de recados e servem o café da manhã, antes de iniciar as recreações. Theo é um golden retriever, e seus colegas, poodles, labradores, schnauzers, yorkshires e vira-latas, todos matriculados na creche Boa para Cachorro, no bairro de Pendotiba, em Niterói. Aberto há dois anos, esse espaço de “socialização” tem dez funcionários e uma área de 1 000 metros quadrados para a turma aproveitar. “Aqui eles têm uma rotina feliz e se tornam mais ativos, inteligentes e educados”, afirma a proprietária e adestradora Ana Paula Freitas.

É crescente no mercado pet a quantidade de produtos excêntricos e serviços especializados, duas categorias em que a creche se enquadra perfeitamente. Lá, o dia a dia não se limita à diversão. Depois de iniciar a jornada com muita correria, brincadeiras e um mergulho na piscina, a cachorrada passa para as atividades curriculares em si. Durante três horas, eles têm lições de adestramento e de como conviver com quadrúpedes e bípedes. Em seguida, encaram o agility, um circuito com obstáculos para melhorar a capacidade física — o equivalente às aulas de educação física da criançada. “Meu cachorro tinha preguiça até para comer. Ele ganhou disposição, e não tenho mais trabalho nem com a higiene dele”, diz Roberta Braga, uma das mamães da creche. Como ninguém é de ferro, os totós têm um intervalo para descansar até a refeição, servida pontualmente às 4 da tarde. No período da digestão, embalada por uma trilha sonora suave, alguns deles chegam a cochilar. Assim, todos ficam calmos à espera de sua vez no banho e de escovar os dentes com pasta de sabor morango, antes de ir para casa. Ao fim do semestre, os pais recebem um boletim com a evolução do aluno. Cobram-se 400 reais por mês — mal comparando, mais barato que nas boas creches para crianças na capital do estado. (Aliás, o sindicalista Rogério Magri, quando foi ministro no governo Collor, dizia exatamente isso da sua cachorra, que chegou a ser transportada em carro oficial: ela também seria um ser humano.) “A escola pode evitar que o cão fique sozinho o dia inteiro”, diz a presidente do Brasil Kennel Club, Márcia Carreira. “Mas ela não substitui o carinho do dono, que é fundamental para o bicho.” Exaustos depois de uma jornada lúdica de aprendizado, Theo e seus amigos retornam à condução. “Tem vezes em que eles nem querem voltar para casa”, diverte-se Ana Paula.

sábado, 14 de maio de 2011

Faltar comida que nada: o que falta é iniciativa e boa vontade dos ruralistas

Faltar comida que nada: o que falta é iniciativa e boa vontade dos ruralistas

ARQUEOLOGIA BRASILEIRA - POSTADO POR BENEDICTO HUMBERTO

Prazos apertados comprometem a arqueologia brasileira
O ritmo vertiginoso imposto aos projetos de desenvolvimento da Amazônia acabou criando um paradoxo na área de Arqueologia. Nunca houve tantos arqueólogos trabalhando, já que a legislação exige que estudos prévios sejam realizados nas áreas destinadas a grandes obras. No entanto, segundo o arqueólogo e pesquisador do Museu de Arqueologia e Etnologia da USP, Eduardo Góes Neves, os prazos são curtos demais e impedem um trabalho mais minucioso, de maior qualidade.
A Amazônia legal é, atualmente, palco de grandes investimentos públicos e privados em infra-estrutura. Usinas hidroelétricas, construção de gasodutos e o asfaltamento de rodovias que atravessam a floresta para conectar núcleos urbanos, são alguns dos exemplos. De acordo com Eduardo, apesar de serem importantes, esses projetos causam um grande impacto no patrimônio arqueológico.
“No caso específico do Rio Madeira, diversos grupos humanos ocuparam suas margens ao longo de milhares de anos. Essas áreas estão comprometidas porque serão alagadas com as barragens das usinas de Jirau e Santo Antônio, em Rondônia, em um prazo estipulado de três anos”, conta o pesquisador. Isso obriga os arqueólogos a trabalharem contra o tempo para tentar coletar o máximo de informações antes que o patrimônio fique submerso. “Não é por incompetência dos arqueólogos, mas é humanamente impossível produzir conhecimento de qualidade em uma escala de tempo tão curta”, disse Eduardo.
Em 1995, o Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) concedeu sete licenças de pesquisa arqueológica em todo o país. No ano passado, foram quase mil. Eduardo se questiona sobre as condições em que esses projetos estão sendo fiscalizados.
Os maiores empregadores, atualmente, são a Petrobrás e a Vale, que não possuem arqueólogos em seu corpo técnico. Para cumprir com a legislação, contratam temporariamente profissionais de instituições de pesquisa, como a USP e o Museu Emilio Goeldi (PA), ou de empresas prestadoras de serviço.
Povos da Amazônia
A região é ocupada há mais de 12.000 anos por grupos humanos muito diversos. Com isso, existem milhares de sítios arqueológicos espalhados por toda a Amazônia, que indicam a existência de povoamentos permanentes, densos, hierarquizados e estáveis que transformaram os ecossistemas de forma sofisticada.
No livro “Quando o Amazonas corria para o Pacífico”, o ecólogo Evaristo Eduardo de Miranda afirma que resta pouca natureza intocada e não alterada pelos humanos na Amazônia. Entretanto, seja qual tenha sido o impacto sobre a flora e fauna do sistema de exploração praticado pelos indígenas, ele não implicava comprometimento da dinâmica hídrica, nem da qualidade das águas, nem o desaparecimento da floresta.
“Sabemos dos problemas que enfrentamos atualmente com o uso e ocupação do território amazônico. Talvez as populações que viveram no passado, na região, possam responder alguns dos nossos questionamentos. Mas o que fazer com tamanha riqueza arqueológica é o maior desafio”, diz Eduardo.
O critério utilizado pelos arqueólogos para trabalhar em uma área, se baseia em hipóteses levantadas anteriormente por outros pesquisadores. Por exemplo, desde a década de 70 foi proposto que a região próxima à Manaus, onde se localiza a confluência de três dos maiores rios amazônicos – Negro, Solimões e Madeira – devia ser uma área de presença humana muito antiga. “A hipótese de que a ocupação das áreas ribeirinhas teria levado à expansão demográfica de outras áreas da Amazônia me levou a estudar a região”, conta Eduardo.
O arqueólogo cita outro exemplo: a região de Rondônia. “Possivelmente foi onde, há 7.000 anos, ocorreu a domesticação da mandioca, planta econômica e simbolicamente muito importante”, relata o arqueólogo. A hipótese surgiu com a descoberta de uma espécie de planta selvagem muito parecida com a mandioca.
No entanto, muitas áreas da Amazônia nunca foram pesquisadas. “A parte do rio Juruá que desemboca no rio Amazonas, por exemplo, é desconhecida. Dessa forma, não temos condições sequer para formular hipóteses sobre a arqueologia do lugar e dar início às pesquisas”.
Interessante é lembrar que, apesar das limitações que sofreu ao longo das décadas com a falta de profissionais e investimento, a arqueologia genuinamente brasileira nasceu na Amazônia, por volta de 1870.
Autor: Manoela Meyer
Fonte: Carta Maior