O que significa Transprojetação?

A Transprojetação é uma metodologia fundamentada nas obras de Edgar Morin e Michel Thiollent.
EDUCAÇÃO, CIÊNCIA, TECNOLOGIA E GESTÃO PARA A SUSTENTABILIDADE com a Soft Systems Methodology e a Pesquisa-ação.



quarta-feira, 17 de outubro de 2012

ARTIGO:MERCADO IMOBILIÁRIO E AS ÁREAS CONTAMINADAS EM SÃ0 PAULO POR CONVERSA SUSTENTÁVEL

Outubro de 2012
Autoras: Profa. Msc. Vivian Ap. Blaso S.S. Cesar, Profa. Dra.Sasquia Hizuru Obata e Esp. e Geógrafa Ambiental Ellen Blaso.
A transição urbana, a desindustrialização em São Paulo, e as consequências das ocupações inadequadas do solo já foram amplamente discutidas em estudos anteriores, mas hoje o setor imobiliário está diante de um novo cenário: a redução de poder de compra de empreendimentos de imóveis de categoria média e seus redimensionamentos de produtos, a valorização de produtos comerciais diferenciados e de excelência e no extremo inferior o atendimento do déficit habitacional pelo programa de subsídio governamental - “Minha casa, Minha vida”. Tais cenários estão também sob a conjuntura e já em reconhecimento mercadológico dos impactos das pegadas sustentáveis, valorização de empreendimentos imobiliários com certificações verdes, bem como, a procura por estoques de áreas contaminadas em regiões com fortes pressões imobiliárias. Com isso, o setor vem sendo pressionado a requalificar áreas, e buscar por estes estoques, pois existe uma carência por ambientes “virgens” que poderiam ser ocupados para a concepção de novas construções.
O setor imobiliário é um importante agente indutor do processo de concepção da cidade, pois ele articula, através das parcerias público-privadas, as operações urbanas, mas de maneira geral nos aponta que existem lacunas nos aspectos de planejamento urbano da cidade e ocupações de terrenos contaminados e a falta conhecimento da população sobre os riscos inerentes a saúde humana recorrentes aos processos de ocupação nestes locais. Por isso, vale destacar, que se fazem necessários estudos complementares aos fenômenos de ocupação e expansão urbana as suas consequências e implicações nas ocupações em terrenos e áreas contaminadas ou áreas com passivos ambientais. Além disso, os cidadãos tem o direito de escolher se gostariam de morar em um imóvel cujo terreno fazia parte de um estoque de áreas contaminadas na cidade de São Paulo.
A partir da lei 13.577, de 09 de julho de 2009, todo cidadão tem direito de ter informações sobre as áreas contaminadas. A lei dispõe sobre diretrizes e procedimentos para a proteção da qualidade do solo e gerenciamento de áreas contaminadas, e dá outras providências correlatas. Dentre as medidas previstas podemos destacar:
Garantia à informação e à participação da população afetada nas decisões relacionadas com as áreas contaminadas;
Educação Ambiental;
Possibilitar o compartilhamento das informações obtidas com os órgãos públicos, os diversos setores da atividade produtiva e com a sociedade civil;
Cadastro de Áreas Contaminadas e Remediadas.
Mas o que é percebido é que hoje existe uma falta de conhecimento por parte da população dos riscos inerentes a saúde humana aos terrenos ou empreendimentos que apresentam este tipo de situação. Dessa forma, em função da forte tendência do setor imobiliário por novos estoques de áreas para o seu desenvolvimento se faz necessário estudos mais abrangentes em torno das ocupações das áreas contaminadas e a sua saudabilidade. Outro aspecto importante está na disseminação dessas informações junto à população no sentido de esclarecer e alertar sobre os riscos de tais terrenos sob a vida humana. Sabemos que esse tipo de informação vem à tona quando casos como o do Shopping Center Norte cujo teve grande respaldo das mídias onde a população tomou conhecimento que o Shopping havia sido construído em uma área contaminada e naquele momento estaria com risco eminente de explosão caso não fossem adotadas as medidas plausíveis ao devido gerenciamento dessa área contaminada.
De acordo com matéria publicada na TV Folha em 12 de agosto de 2012, a cidade de São Paulo possui 40 terrenos classificados como contaminados pela CETESB (agência ambiental paulista) estes terrenos estão nas mãos do setor imobiliário e 15 prédios já estariam prontos ou em fase de lançamento para comercialização.
Em outra matéria da Folha publicada em 30 de agosto obtemos as seguintes informações:
“Só no Estado de São Paulo, a CETESB cadastrou, até dezembro, 4.131 áreas contaminadas. Dessas, apenas 264 haviam sido reabilitadas. São terrenos com existência comprovada de poluentes no solo e nas águas subterrâneas”.
Perguntas curiosas deveriam ser feitas por parte dos consumidores caso eles tivessem consciência dessas informações sobre áreas contaminadas e seus riscos:
Quais os riscos a saúde humana caso o gerenciamento não seja realizado adequadamente?
Qual o tipo de contaminações essa população estaria exposta?
Quem deve gerenciar essa área e por quanto tempo?
Quais os sinais visíveis de possíveis problemas que poderiam causar inclusive explosões como foi o caso do Shopping Center Norte?
De quem é a responsabilidade pelo terreno, após a ocupação do empreendimento? Dos moradores, no caso de condomínios residenciais? Quais os custos de gerenciamento?
Por outro lado, o conhecimento por parte de empresários e construtores das tecnologias de remediação e descontaminação de terrenos, suas metodologias e custos passam a ser referenciais de viabilidades de empreendimentos imobiliários.
Viabilidades que são por princípio de atendimento a sustentabilidade de modo amplo e pelo próprio princípio de resgate de áreas pela melhoria ambiental e também como viabilidades de diferenciação do produto imobiliário através de pontuação em certificações.
No que concerne à viabilidade de empreendimentos e estoques de terrenos a serem utilizados em remediações e descontaminações, há ainda mais dois atores além dos usuários finais / população do entorno, empresários e construtores, ou seja, os investidores e o poder público, ambos importantes para as viabilidades destas ações, a saber:
Os investidores veem como diferencial de sustentabilidade a aplicações de seus fundos em empreendimentos sob estas condições de remediações e descontaminação, vendo a precificação diferenciada e valorização não só do imóvel como da imagem mercadológica.
O poder público, no momento possui bases normativas, mas ainda residem questionamentos sobre as formas de certificações e aprovações e ainda a falta de incentivos para estas ações.
Contudo, o setor imobiliário, vem utilizando recursos da “publicidade verde” para proporcionar uma plasticidade entre o presente e o futuro na comercialização de empreendimentos cujos terrenos foram construídos em áreas contaminadas sendo assim, questões morais e éticas que envolvem os terrenos contaminados em São Paulo devem ser discutidos e colocados na pauta da sociedade civil, do poder publico e do interesse privado.
Ao considerarmos o meio artificial como os terrenos contaminados e o meio ambiente como dispositivo de urgência poderíamos considerar que a sustentabilidade vem se reafirmando como um meio capitalista de utopia por um futuro melhor?
Um planeta ingovernável onde se convoca a participação da sociedade por uma cultura de paz com cidades resilientes - será que estaríamos mesmo "preocupados" em resguardar uma comunidade que ocupa terrenos contaminados colocando em risco a saúde e a vida das pessoas?

SOBRE AS AUTORAS:

Vivian Ap.Blaso Souza Soares César - Doutoranda e Mestre em antropologia - Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, membro do corpo docente do curso de Pós Graduação Lato-sensu em Construções Sustentáveis e Publicidade e Propaganda da FAAP. vivianblaso@uol.com.br
Sasquia Hizuru Obata - Doutora em Arquitetura e Urbanismo, Mestre em Engenharia Civil, Docente nos cursos de Arquitetura e Urbanismo e Engenharia Civil da FAAP e Universidade Cruzeiro do Sul e Coordenadora do Curso em nível de Pós-graduação Lato-sensu em Construções Sustentáveis da FAAP. sasquia@terra.com.br
Ellen Maria Blaso de Souza - Geógrafa Ambiental, Especialista em Gerenciamento de Áreas Contaminadas, Educação Ambiental Empresarial e Sócia da Consultoria e Assessoria Mercadológica Conversa Sustentável. ellenblaso@conversasustentavel.com.br

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Dificuldade de encontrar mão de obra qualificada por Projeto Pescar

Dos 192 milhões de brasileiros, 93 milhões estão aptos a trabalhar. O descompasso entre as oportunidades de emprego e a falta de mão de obra qualificada para ocupar estes postos de trabalho foi notícia do Jornal Nacional. De acordo com a Organização Internacional do Trabalho, cerca de 90% dos novos empregos no Brasil com carteira assinada exige pelo menos o ensino médio completo, o antigo colegial. Só que quase metade dos trabalhadores não completou nem o ensino fundamental, da primeira à oitava série. E 16% enquadravam-se na condição de analfabetos funcionais, aqueles que, embora consigam ler, não são capazes de interpretar textos ou fazer as operações matemáticas mais simples.
O problema aparece mesmo entre quem já terminou o ensino médio. Os recrutadores tiveram que incluir até ditado nos testes por causa dos erros em textos de funcionários nas empresas. Um teste feito por um aluno do terceiro ano de economia. De 30 palavras ditadas ele errou 28.

Projeto Pescar – Qualifica jovens em situação de vulnerabilidade social para o mundo do trabalho, através de uma Tecnologia Social própria, que cria espaços de qualificação e desenvolvimento pessoal no interior de organizações parceiras.

Conheça www.projetopescar.org.br



sexta-feira, 14 de setembro de 2012

A EDUCAÇÃO PARA A COMPLEXIDADE, COM O ALVO PELA PAZ

A educação mundial segue um paradigma greco-positivista que ainda divide as pessoas em doutos - aqueles que pensam, daqueles que fazem - realizam, utilizam suas forças de trabalho. Além disso  e por conta disso, classificam, dividem e desintegram o conhecimento em várias partes, quando deveríamos integrar as diversas disciplinas, para dessa forma, compreender e transformar para muito melhor, o planeta em que vivemos. Essa transformação só se dá de duas maneiras, ou pelas armas, ou pela educação para uma visão e ação complexa no mundo. E temos certeza, somos partidários da segunda, enquanto esse mundo que ai está ainda se partidariza pela primeira.
Para seguirmos o universo da Paz e não da Guerra, será necessário mudar os métodos educacionais, enquanto há tempo. Essa é a minha luta, essa é a minha vida.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

ABNT NBR ISO 20121, para Gestão da Sustentabilidade em Eventos, será lançada em São Paulo

Norma Internacional que está sendo utilizada na Olimpíada de Londres teve a participação do Brasil e pode ser utilizada na Copa de 2014 e Olimpíada de 2016
Acontecerá no próximo dia 13 de agosto, a partir das 19h, o lançamento da ABNT NBR ISO 20121:2012, Norma de gestão que visa privilegiar o uso de práticas sustentáveis na organização de eventos de qualquer natureza. Seu lançamento, seguido de coquetel, será no Centro de Convenções Rebouças, em São Paulo. O evento contará com a presença de associações do setor de eventos e turismo e de autoridades públicas. Até o momento, já foi confirmada a presença da Secretária de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Linamara Rizzo Battistella. A norma internacional ISO 20121, que teve a participação de 35 países, tendo a Inglaterra na coordenação e o Brasil, através da ABNT, na secretaria geral, foi utilizada para que a Olimpíada de Londres fosse organizada de maneira sustentável. Graças aos esforços de diversas associações, entidades e órgãos governamentais brasileiros ligados direta ou indiretamente à área de eventos, e que tiveram participação ativa na elaboração, a Norma foi traduzida e publicada. Prevê-se que ela seja utilizada para a organização da Copa de 2014 e da Olimpíada de 2016, ambas sediadas no Brasil.De acordo com o diretor de Sustentabilidade do Instituto Brasileiro de Eventos – IBEV, chefe da delegação brasileira e coordenador da Comissão de Estudo Especial de Sustentabilidade na Gestão de Eventos (ABNT/CEE 142), que participou da elaboração da ISO 20121, Daniel de Freitas, vale destacar que as regras são de cunho orientativo. “A Norma é por conformidade, e suas metas são voluntárias, porque dependem do caráter de cada evento”, afirma. Sua aprovação foi apenas a primeira etapa e, como toda norma, no decorrer do tempo passa por aperfeiçoamentos e adequações de acordo com a realidade de cada país. Descomplicada de ser implementada, a Norma auxiliará as empresas nas tomadas de decisões, no que diz respeito ao uso da sustentabilidade em suas atividades relacionadas a eventos. Ela se adéqua aos diversos tipos e tamanhos de organizações envolvidas no projeto e execução de eventos, e acomoda diferentes condições geográficas, culturais e sociais. As empresas que têm o interesse de promover eventos em conformidade com a ISO precisam, em primeiro lugar, definir as questões internas e externas relevantes à sustentabilidade e à finalidade de seu evento. Nesse contexto, a organização deve identificar quais os públicos de interesse com relação a seus eventos e, a partir daí, adotar procedimentos para avaliar os impactos nos âmbitos ambiental, social e econômico gerados de / para esses públicos.Podem ser considerados, entre outros, os seguintes impactos:· Aspectos ambientais – utilização de recursos, escolha de materiais, conservação de recursos, redução das emissões, preservação da biodiversidade e da natureza, emissão de poluentes no solo, na água e no ar, transporte e logística, descarte de resíduos, etc.· Aspectos sociais – normas de trabalho, saúde e segurança, liberdades civis, justiça social, comunidade local, direitos indígenas, questões culturais, acessibilidade, equidade, patrimônio e sensibilidades religiosas, inclusão, geração de empregos e renda, comunicação, capacitação, legados, etc.· Aspectos econômicos – retorno sobre o investimento, incentivo à economia local, capacidade do mercado, valor das partes interessadas, inovação, impacto econômico direto e indireto, presença de mercado, desempenho econômico, risco, comércio justo e participação nos lucros, ética, geração de renda e emprego, etc.
O lançamento tem o apoio e participação das seguintes entidades: Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT); Associação Brasileira de Empresas e Eventos (ABEOC); Academia Brasileira de Eventos e Turismo (ABEVT); Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH); Associação Brasileira dos Centros de Convenções e Feiras (ABRACCEF); Associação dos Profissionais, Serviços para Casamento e Eventos Sociais (ABRAFESTA); Associação de Marketing Promocional (AMPRO); Associação Brasileira das Operadoras de Turismo (BRAZTOA); Instituto Brasileiro de Eventos (IBEV); Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (INMETRO); Sindicato das Empresas de Promoção, Organização e Montagem de Feiras (SINDIPROM/SP); União Brasileira dos Promotores de Feiras (UBRAFE) e Secretaria de Direitos da Pessoa com Deficiência/SP.O site www.eventosustentavel.orgoferece mais informações sobre a Gestão da Sustentabilidade em Eventos.
Sobre a ABNTA ABNT é o Foro Nacional de Normalização por reconhecimento da sociedade desde a sua fundação em 28 de setembro de 1940 e confirmado pelo governo federal através de diversos instrumentos legais. Tem a missão de prover a sociedade brasileira de conhecimento sistematizado, por meio de documentos normativos, que permita a produção, a comercialização e uso de bens e serviços de forma competitiva e sustentável nos mercados interno e externo, contribuindo para o desenvolvimento científico e tecnológico, proteção do meio ambiente e defesa do consumidor.Sobre Daniel de Freitasde sustentabilidade e coordenador da Comissão de Certificação e Normatização do Instituto Brasileiro de Eventos (Ibev), é coordenador da Comissão de Estudos Especiais CEE 142 que elabora a norma ISO 20121 de Gestão Sustentável de Eventos, é representante brasileiro ISO, capacita profissionais, treina consultorias, realiza cursos e palestras sobre o tema Sustentabilidade em eventos, sendo referência nesse mercado. Trabalha com diversas empresas parceiras como: Associação Brasileira dos Centros de Convenções e Feiras (ABRACEF), Associação Brasileira de Empresas e Eventos (ABEOC), Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social, Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE), Sindicato das Empresas de Promoção, Organização e Montagem de Feiras (Sindiprom) e União Brasileira dos Promotores de Feiras (UBRAFE).Sobre o IBEVO Instituto Brasileiro de Eventos (IBEV) tem a missão de gerar e implementar soluções em certificação, capacitação e pesquisa, voltada para os setores Público, Privado e Associativo nas áreas de eventos e turismo, como parceiro das entidades afins. Trabalha para ser reconhecido como um centro de excelência na habilitação e atualização de estudantes e profissionais ao disponibilizar conhecimento de ponta para criação, gestão de projetos, pesquisas e estudos que visem o fomento e o desenvolvimento destas áreas.

Serviço
Lançamento da ABNT NBR 20.121:2012Data: 13 de agosto de 2012Horário: às 19hLocal: Centro de Convenções Rebouças - Av. Dr. Enéas de Carvalho Aguiar, 23, 05403-912 - São Paulo – SPEstacionamento: Av. Rebouças, 600 - Cerqueira César - 05402-000 - São Paulo – SP (entrada acessível)Informações: 11 3898-7850

terça-feira, 3 de julho de 2012

Ignacy Sachs: desenvolvimento sustentável só é possível com intervenção do Estado no mercado | Agência Brasil


http://www.boainformacao.com.br/2012/07/ignacy-sachs-desenvolvimento-sustentavel-so-e-possivel-com-intervencao-do-estado-no-mercado-agencia-brasil/

July 3, 2012

Por Agência Brasil, Agência Brasil, Atualizado: 01/07/2012 19:23
Vladimir Platonow
Repórter da Agência Brasil
Rio de Janeiro – O desenvolvimento ambiental não pode ser dissociado das questões sociais e econômicas. Mas para haver uma relação de equilíbrio entre essas vertentes, é preciso intervenção do Estado para conter o mercado, que de forma geral não se preocupa com os custos sociais e ambientais. Essa visão é defendida há mais de 40 anos pelo economista Ignacy Sachs que, aos 85 anos de idade, é considerado o criador do termo desenvolvimento sustentável.
Ele participou das três grandes conferências das Nações Unidas sobre o meio ambiente: Estocolmo 72, Rio92 e Rio+20, quando falou sobre o tema. Em entrevista à Agência Brasil, ele fez um balanço das últimas décadas e avaliou os possíveis avanços na área.
Fundador do Centro Internacional de Pesquisa sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento na Escola de Altos Estudos de Ciências Sociais de Paris, Ignacy Sachs se apresenta como ecossocioeconomista, pois entende que ecologia, sociologia e economia são conceitos integrados.
‘Historicamente tivemos a economia política, depois simplificaram só para economia. Aí voltamos, nos últimos 40 anos, a uma visão bidimensional, de olhar a economia e a sociedade. Depois acrescentamos o segmento ambiental e formamos um tripé, passando a pensar em uma ecossocioeconomia.’
A partir desse conceito científico, foi desenvolvido o termo ecodesenvolvimento, que se popularizou principalmente a partir da Rio92 e que evoluiu para desenvolvimento sustentável, mais usado atualmente. ‘É uma visão do desenvolvimento em que os objetivos são sempre os sociais, existe uma condicionalidade ambiental e, para que as coisas aconteçam, é preciso dar às propostas uma viabilidade econômica.’
Para ele, o conceito se justifica pela maneira holística de avaliar a realidade. ‘Há duas maneiras de olhar o planeta. Uma consiste em considerar que o mundo é um bolo, que depois é cortado em visões unidimensionais: economia, sociologia e ecologia. Depois vêm aqueles que partem do conjunto e tentam pensar quais são as dimensões pertinentes para o problema.’
Nascido na Polônia, em 1927, Ignacy Sachs veio para o Brasil aos 14 anos de idade, onde se formou em economia na Universidade Cândido Mendes no Rio de Janeiro. Em 1954, voltou à Polônia e depois foi para a Índia, onde cursou doutorado na Universidade de Nova Delhi. Mais tarde, sua ligação com o Brasil fez com que ele fundasse em 1985, na Escola de Altos Estudos de Ciências Sociais de Paris, o Centro de Pesquisas sobre o Brasil Contemporâneo.
Embora reconheça que até hoje nenhum país adotou plenamente o conceito de desenvolvimento sustentável, ele é otimista quanto à inclusão do termo nas políticas públicas atuais. ‘Nesses 40 anos [desde Estocolmo 72] avançamos muito nessa ideia de abrir a cabeça dos que fazem a política sobre a necessidade de se contemplar conjuntamente essas três dimensões. É difícil hoje encontrar um dirigente que não reconheça a importância do social e do ambiental. A mensagem foi absorvida.’
Porém, o economista reconhece que, se houve evolução na aceitação da teoria, faltaram avanços na prática. A devastação ambiental não parou desde as duas conferências das Nações Unidas sobre o meio ambiente. Pelo contrário, só aumentou.
‘Os governos não decidem tudo. Na verdade vivemos em uma economia em que os empresários têm muito a dizer. Não vivemos em uma economia pública, mas sim em uma economia público-privada, na qual as decisões, os projetos, os investimentos não estão em uma só mão. Temos uma multiplicidade de atores que têm interesses distintos, muitas vezes conflitivos’, destacou.
Edição: Talita Cavalcante e Lana Cristina
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